sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sobre comer e viver

Para responder uma pergunta que está sendo feita com frequência, segue matéria escrita para o Jornal Brasil Central:
"Há algumas semanas me perguntaram: por que motivo um psicólogo escreve sobre culinária? O que tem de comum entre psicologia e gastronomia?
É interessante como as pessoas fecham seus conhecimentos de forma hermética, nos atuais dias de “especialismos”, onde um médico não será um bom médico se não seccionar seus conhecimentos em microestruturas, onde um vendedor precisa ser especialista em goiabada em lata fabricada em Cabrobó do Norte, e se vender também a do Sul será muito diversificado para o mercado. Creio que é necessário aprofundar conhecimentos e não parar na superficialidade, mas o ser humano não pode ser tão medíocre a ponto de ser bom em uma coisa tão somente.
Sou da corrente holista, que acredita que o homem é muito mais que a soma das partes, é um todo complexo e interativo, onde sentidos atuam de forma conjunta com emoções, percepções, pensamentos, atitudes, etc.
Creio que sentidos aguçados vão muito além de cheiros, sabores cores e texturas, são experiências inteiras.
Creio que bolinho de chuva tem gosto de infância, que lombo com purê de maçã tem gosto de amor recente, que pizza tem cheiro de amizade, sonho de doce de leite saudades de meu pai, feijoada contém o sábado e lazanha o domingo.
Acredito que chocolate é companheiro de tpm, que sorvete de limão aplaca tristezas, dentre tantas outras variadas e intensas vivências resumidas em pratos comidos não somente pelo psicólogo que a vocês escreve, mas por um homem túrgido do mundo.
Segue abaixo uma receita que tem gosto e cheiro de Rogério, e quais Abaporús antropofágicos saberão minha inteireza ao conhecerem o prato."
Yakissoba
Ingredientes:
500g de peito de frango cortado em cubinhos
500g de coxão mole, cortado em cubinhos
1 xícara (chá)de shoyu Sakura Tradicional
3 colheres (sopa) de saquê Daiti Prata
1kg de macarrão pré cozido (pode ser substituido por 500g de macarrão instântaneo cozido)
2 colheres (café) de alho triturado Kenko
2 colhres (sopa) de cebola triturada Kenko
200g de cogumelo Kenko
400g de legumes para yakissoba (acelga, couve-flor, brócolis, cenoura)
1 pimentão de cada cor (verde, vermelho e amarelo) cortado em quadradinhos
Para o molho base
500 ml de água
1 cubo de caldo de galinha
1 xícara (chá) de shoyu Sakura Tradicional
4 colheres (sopa) de amido de milho


Modo de preparo:
1- Tempere o frango e a carne com shoyu e saquê e deixe marinando na geladeira por uma hora
2- Aqueça o óleo em uma panela grande e frite o alho e a cebola até dourar
3- Frite as carnes. Adicione os legumes e os cogumelos e cozinhe até que estejam amolecidos
4- Prepare o caldo base: numa jarra misture bem todos os ingredientes
5- Coloque o caldo e deixe cozinhar até engrossar um pouco. Só então mexa
6- Numa panela anti-aderente, coloque um fio de óleo e frite o macarrão até dourar
7- Coloque o macarrão num refratário e despeje o preparado em cima.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pedreiras Pirenópolis - Queria meu estômago maior


Neste fim de semana (ô rotinha que tá ficando boa) voltei á Pirenópolis com a patotinha do barulho (80´s rules) para diversas missões. A maior delas foi a de descançar mesmo diante de algumas tribulações ocorridas.JustificarNo sábado após passar boa parte da tarde entre mergulhos, conselhos e risos na cachoeira de Araras, resolvemos encarar uma missão praticamente impossível, achar um bom lugar para almoçar ás 16:00.
O local escolhido foi o Restaurante Pedreiras, um dos mais conhecidos da cidade.
Ao chegarmos ao lindo e rústico salão, fomos recepcionados pela proprietária, que nos informou que naquele horário já haviam poucas opções, mas que serviria nossa mesa com linguiça caseira.
Concordamos e fomos nos servir nos fogões à lenha onde a comida é servida.
Quando nos deparamos com uma variedade infindável e maravilhosa de pratos goianos me perguntei como seria se chegasse ao meio dia.
Fiz um prato tão grande que pensei que teria uma overdose.
Ao chegar à mesa qual foi meu espanto quando chegaram 3 travessas com uma dúzia de ovos caipiras fritos, um porco inteiro fatiado em bifes fritos na hora e 1 km de linguiça. Olhei para meus convivas e para os pratos e suspirei de alegria e frustração por meu estômago ter diminuido na última dieta.
Quando pensei que já não aguentaria mais tanta fartura, eis que entre brumas de fumaça surge o educado garçon, com uma bandeija contendo bananas flambadas com muçarela.
Além de terem uma comida deliciosa e farta, contam com um belo jardim e uma praia particular.
Recomendo com certeza.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Rockn' Gol - Cheffs contest



Nesta semana eu, juntamente com os proprietários (que chegaram do tour pelos melhores pubs da Europa) do Rock´n Gol Sport Bar escolhemos o cheff de gastronomia que criará os pratos e comandará o navio pirata (palavras do cheff Anthony Bourdain para se referir à cozinha) deste pub que será referência no centro oeste.
Na seleção final ficaram, Gustavo Spíndula, Lusdalma Divina e Munyr Abou, todos eles referendados pelos renomados Chris Isac e Humberto Marra.
Para realizar o último dos testes, nos reunimos na bem montada cozinha da Ana Rosa no Alphaville, onde apresentei inúmeros e inusitados produtos, que deveriam ser combinados para que novos pratos fossem criados.
O primeiro, elaborado por Munyr Abou foi a estupenda sardinha ao molho bechamel defumada ao provolone, que ficou sem precedentes. Uma deliciosa mistura do forte sabor da sardinha marinada, com a suavidade cremosa do molho, fez com que eu e os felizes proprietários segurássemos a vontade de nos refastelarmos com a delícia para experimentar os demais pratos.
O próximo foi o do Gustavo Spíndula, que criou uma batata frita crocante coberta com cubos de bacon e pequenos rolos de mortadela recheados de queijo fresco e manjericão. A criatividade e diversidade de sabores foi aprovada e aplaudida.
O último, coroando a seleção, foi a criação de Lusdalma Divina, que fez o milagre de criar um bacalhau com batatas gratinadas ao molho de abacaxi e maçã verde em menos de 20 minutos contando o dessalgamento. Não preciso dizer que foi uma experiência divinal (trocadilho infame).
Eu recomendo os três cheffs para as mais requintadas casas do Brasil, pela criatividade suprema e profissionalismo inconteste.
O aprovado pela seleção foi....que rufem os tambores....tchan tchan tchan tchan!!!!
Munyr Abou!!! Cheff com experiência internacional e com uma descomunal inteligência gestora e criadora.
Tenho certeza que ainda ouvirão falar muito dele no cenário gastronômico nacional.
Aguardem grandes criações e excelentes novidades.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Espetinho 10 - Rinha de gente e galo

Estou certo de que sou imã de gente exótica e truona!
Ontem ao terminar meus atendimentos em Anápolis, fui a um espetinho na Av. São Francisco no Jundiaí (em frente ao colégio São Francisco), onde servem o delicioso espeto de leitoa, um naco suculento da pobre e virginal suina assado na crocância certa, por míseros R$ 6,80.
Ao aguardar a anelada perninha porcina tomando uma cocazinha gelada que só, pude ouvir um diálogo que me fez regugitar a coca pela via nazal do tanto que ri.
Estava um casal sentado bem em frente a minha mesa, quando chegou um bagual todo arranhado próximo a eles, o homem sentado então pergunta, o que foi com vc Epaminondas (nome fictício)? O homem então seguiu com o relato:
"- Você está sabendo que eu tô criando galinha né? Então, o galo estava batendo na galinha, bateu tanto na pobrezinha que abriu um buraco na cabeça dela. A bixinha é poedeira e vai ficar um bom tempo sem colocar ovo.
Eu fiquei com tanta raiva, mas tanta raiva, que entrei no galinheiro e parti para cima dele. Comecei com uma bicuda no sobre. Ele voou pra cima de mim e começou a bicar, no começo fiquei com medo, mas peguei no pescoço dele e dei uns socos na cabeça dele, enquanto isso, ele empurrava meus braços com as esporas, querendo dar uma voadora no meu rosto. Num deixei, joguei ele pra cima e saquei ele igual o Montanaro fazia na seleção de volei. Ele bateu no chão e quicou na mesma velocidade no meu cangote, dei vários tapas nele como se tivesse espantando um enxame de abelhas, enquanto isso meus funcionários já estavam até apostando quem ia ganhar a briga.
Você sabe o quanto sou turrão né? Enquanto ele não parou de me bicar, eu não parei de dar bicuda".
As veias do meu pescoço pareciam manilhas de tão grossas que ficaram, pois não estava aguentando de vontade de rir, porém como não sou de ferro soltei uma gargalhada que foi condenada com um olhar de abatedor de galos pelo relator de tal rinha.
Sei que foi uma crueldade, e sou absolutamente contra isso, mas que foi engraçado foi.
A leitoa estava impecável de saborosa. Recomendo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pizza Z domiciliar – Aventuras num sábado de pai solteiro


Estou até com olheira!
Neste sábado, após um dia inteiro de cuidados e carinho (minha filha está com suspeita de dengue), a Carolzinha pediu para convidar sua amiga Maria Clara para dormir aqui em casa.
Eu como pai bacana que sou (vai tirar onda assim lá longe) achei que seria divertido e a convidei.
Gente, confesso que poucas vezes na vida ri tanto. A idade de 9 anos deixa a cabeça meio tantan e faz a pessoa dizer coisas absolutamente sem noção.
Ficamos eu, a Carol e a Maria aqui na sala jogando Mortal Kombat e falando sobre Hight School Music, Camp Rock e coisas das quais não tinha a mínima noção até hoje. A Maria, disse que para eu parecer o Zac Efron precisaria nascer três vezes e fazer um grande favor para Deus (o que falei sobre os 9 anos?).
Deixei a Carol tomar conta do cardápio.
Ela pegou meu celular, a lista telefônica e ligou para a Pizza Z.
Pediu mezzo Pizza à moda e mezzo Francesa (a maluquete ficou o resto da noite falando Mon Cheri e sacre coeur).
Quando a pizza chegou paguei R$ 27,90 na pizza e na coca 1,5 l.
A pizza, branca e borrachuda desceu rasgando em minha garganta, coisa que pareceu bizarra para as meninas que falaram que meu gosto era “a treva”.
Após o rango, armei uma barraca de dois lugares na “sala de estar”, contei algumas lendas terrificantes e deixei as duas se esbaldarem até 02:00h da manhã, jogando play, lendo gibis e tocando o terror.
Será que fiz certo?